Seleção brasileira: a hora de Neymar, em boa fase e sem lesões

Seleção brasileira: a hora de Neymar, em boa fase e sem lesões

Updated: 5 days, 11 hours, 31 minutes, 7 seconds ago

ALEX SABINO E LUCIANO TRINDADE
DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) – Neymar não ficou abalado por não ter sido chamado para a Copa do Mundo de 2010. Era na época um garoto de 18 anos que vivia sua primeira grande temporada como profissional pelo Santos. Sabia que, apesar da recusa de Dunga a seguir o clamor popular e chamá-lo, ele teria novas chances. Foi o que ouviu várias vezes do seu pai.

Doze anos depois, maior nome do futebol brasileiro e um dos melhores jogadores do planeta, Neymar ainda espera um Mundial dos sonhos. E pelo título. Aos 30 anos, flerta com uma aposentadoria da seleção brasileira que não muitos levam a sério. Disse que a Copa deste ano será sua última.

Nesta quinta-feira (24), o atacante será de novo a maior referência da seleção brasileira. Na estreia no torneio do Qatar, a equipe enfrenta a Sérvia às 16h (de Brasília), no estádio de Lusail. O camisa 10 vive um dos melhores momentos da sua carreira.

“Acho que o Neymar chega para uma competição tão importante num nível muito bom. Agora sem lesão nenhuma e com preparação especial, ele chega muito bem”, disse o zagueiro Thiago Silva, que será o capitão brasileiro no primeiro jogo.

Em 20 partidas oficiais pelo Paris Saint-Germain nesta temporada, Neymar anotou 15 gols e deu 12 assistências. Está a dois do recorde de Pelé, de 77 marcados com a camisa da seleção brasileira.

Tão importante quanto os números é que, como lembrou Thiago Silva, o maior nome da equipe chega à Copa sem grandes preocupações físicas. É chance para apagar imagem deixada nos dois torneios anteriores de que participou: os de 2014 e 2018.

Na competição sediada no Brasil, sofreu lesão na coluna nas quartas de final diante da Colômbia. Ficou fora da histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal.

Quatro anos mais tarde, na Rússia, quando a seleção deu adeus nas quartas, derrotada pela Bélgica, sua imagem em campo ficou marcada pelas simulações de faltas, o que reforçou uma fama de “cai-cai” deixada para trás nos últimos tempos.

“Ficou difícil defender o Neymar por todas as coisas que ele faz além de jogar futebol”, disse Pelé ao jornal Folha de S.Paulo, no final de 2018, em uma declaração que não foi bem recebida por pessoas próximas ao atual craque brasileiro.

O próprio Neymar não deu grande importância, como costuma fazer. Ele havia sofrido uma fratura no quinto metatarso do pé direito em fevereiro de 2018, a pouco mais de três meses do Mundial. Apesar das declarações em contrário, não chegou à competição com 100% de condição física.

Não ajudou também sua imagem o comportamento de seus convidados no hotel em que a delegação estava hospedada em Sochi.

Foto: Ascom/Fifa

Neymar não ganhou Mundial, mas tem outros títulos desde que começou a vestir a camisa amarela. E foi protagonista na medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

“Parabéns, Neymar, Ricardo Rosa, Fabio Mahseredjian [preparadores físicos da seleção]. Isso [a fase do jogador] é fruto de toda essa sequência para ele ter o desempenho técnico dos atletas extraordinários e excepcionais, e de quanto tu rapidamente pensa e executa [sic]. Rapidez de pensamento e execução têm de estar em sintonia. E nele está. Ele está jogando para c Está jogando muito”, disse Tite, em setembro deste ano, na última convocação antes da lista definitiva para a Copa.

Ativo nas redes sociais, Neymar colheu os ônus e os bônus de ser figura pública tão famosa no ciclo 2014-2018. Sua frase “o pai tá on”, que usou na internet, entrou no imaginário popular. Para ironizar os que reclamavam que ele se recusava a crescer e continuava a se comportar como criança, o apelido “menino Ney” virou “adulto Ney”.

Ele também aproveitou o status para faturar em contratos publicitários vultosos. Em caso de uso global de sua imagem na campanha, o valor chega a 3,5 milhões de euros (R$ 19,6 milhões). No Qatar, seu rosto está espalhado nos cartazes do banco QNB.

Nem tudo foram flores. Neymar teve seu nome envolvido em duas denúncias de crime sexual. Não acabou condenado por nenhuma delas, mas ficou sem o contrato com a Nike, a marca que vestia desde a adolescência, trocada pela Puma. Foi criticado por planejar uma festa para centenas de convidados no Brasil no meio da pandemia da Covid-19.

Seu apoio a Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial polarizou ainda mais a sua imagem. Ele se defendeu dizendo ter o direito de se manifestar. Respondeu a uma influenciadora social que o criticou com mensagem de que ela queria “aparecer”.

Aparecer é algo que ele precisa fazer a partir desta quinta, no Qatar. Tite reconhece ter juventude e ousadia no ataque, com uma geração de atletas novatos em boa fase na Europa, como Vinicius Junior, Richarlison e Gabriel Jesus (que deve começar no banco). Mas, no tabuleiro brasileiro para chegar ao hexa, a principal peça é Neymar.

“O legal é que ele não tem vaidade nenhuma. O grupo recebeu os meninos muito bem. São jogadores que vão deixar o Neymar muito à vontade em campo e vão abrir espaço nas entrelinhas [área perto da área], onde o Neymar é mais decisivo”, afirmou Thiago Silva.