Patrick Tambay (1949-2022)

Patrick Tambay (1949-2022)

Updated: 2 months, 5 days, 16 hours, 3 minutes, 4 seconds ago

RIO DE JANEIRO – Domingo de luto no automobilismo: morreu neste 4 de dezembro o antigo piloto de Fórmula 1 e outras categorias do esporte a motor Patrick Tambay. O francês tinha 73 anos e sofria de Mal de Parkinson, tendo perdido hoje a luta para a doença.

Tambay foi um dos “Quatro Mosqueteiros Franceses” que na temporada de 1976 aportaram na Fórmula 2 europeia e apoio maciço da Elf, a então estatal francesa do petróleo. Além deles, Michel Leclère, René Arnoux e Jean-Pierre Jabouille representavam o que aquele país tinha de melhor na época – sem contar Jacques Laffite e, vá lá, Jean-Pierre Jarier, além de Didier Pironi e Alain Prost tempos depois.

O terceiro posto naquele campeonato com direito a uma vitória em casa, no Circuit Paul Armagnac, em Nogaro, não convenceu ninguém a lhe dar uma oportunidade imediata na Fórmula 1. Já perto de completar 28 anos, Tambay buscou a chance que surgiu – na série de protótipos Can-Am, que voltava após a crise do petróleo.

Lá conheceu Gilles Villeneuve, rival e amigo a ponto de convidar Patrick a ser o padrinho de batismo de Jacques, o futuro campeão mundial de Fórmula 1. Se o ‘piccolo canadese’ pudesse adivinhar o quanto o caminho deles estaria interligado no futuro…

Guiou para Carl Haas com protótipos Lola e foi duas vezes campeão, em 1977 e 1980 – inclusive, antes e depois do período em que chegou à categoria máxima.

A primeira oportunidade de Tambay na F1 foi dada por John Surtees, que o convidou para andar no TS19 #18, cujo cockpit ficara vago com as participações pífias de Hans Binder e depois Vern Schuppan. Patrick não conseguiu um lugar no grid para a corrida, que seria em Dijon-Prenois.

Mas Teddy Yip lhe abriu uma porta e por ela o francês soube entrar: com apoio do apaixonado dono de equipe oriundo de Hong Kong, Tambay teve à disposição um Ensign igual ao de Clay Regazzoni e aproveitou bem as oportunidades. Marcou pontos três vezes – sexto na Alemanha, quinto na Holanda e Canadá – e em meia temporada apenas fez Teddy Mayer simplesmente rasgar um compromisso com Villeneuve para assinar com Tambay por dois anos.

O francês fez corridas razoáveis em 1978 marcando pontos em cinco ocasiões, com um 4º posto na Suécia como melhor performance. Mas Tambay passaria em branco o ano seguinte inteiro, em parte por culpa das más performances do modelo M28, substituído a meio do ano pelo M29. Na verdade, a McLaren vivia uma crise que nunca experimentara naquela década e Tambay sobrou.

Juntou os cacos da dignidade que lhe restava e foi em frente: voltou ao Can-Am, foi campeão de novo e aí a Theodore, com carro próprio, regressou à Fórmula 1 para 1981 e Tambay foi novamente chamado. Na apresentação do modelo TY01, coristas nuas e seminuas do famoso Moulin Rouge – que patrocinava o piloto – chamaram a atenção em Paris.

Patrick fez o 6º lugar no GP dos EUA-Oeste e tudo o que conseguiu fazer com a Theodore, a despeito de algumas atuações satisfatórias, foi aquilo. Até que a Talbot-Ligier dispensou Jean-Pierre Jabouille (e outro Jean-Pierre, o Jarier, não queria mais ser reserva de jeito nenhum). Tambay acabou chamado. E era melhor que não tivesse sido. Com o carro #25, tendo estreado na França, o piloto teve uma série de problemas – sem terminar qualquer corrida, ainda passaria pelo susto de ver quase partido ao meio seu carro no GP de Las Vegas – e também ainda insistiu em sair do Talbot-Ligier sozinho, ainda que mancando, para mostrar que estava tudo bem.

Com a carreira de piloto de F1 chegando ao fundo do poço, Tambay se deixava levar pelo desgosto quando, após flertar com a Arrows e as negociações não avançaram, Gilles Villeneuve morre nos treinos do GP da Bélgica.

A Ferrari fica somente com Didier Pironi até o GP da Holanda, quando o cockpit do #27 é entregue a Tambay, que chega em oitavo. O francês começa a mostrar progressos e, no fim de semana de um pavoroso incidente com Pironi, finalmente vence na F1 durante o GP da Alemanha. Com três pódios, o piloto termina em 7º mesmo numa temporada parcial, contribuindo para um título de construtores da Ferrari.

A temporada seguinte foi a melhor de Tambay na categoria: fez quatro pole positions e venceu sob o delírio coletivo dos tifosi o GP de San Marino, após uma colisão de Riccardo Patrese – tão italiano quanto a Ferrari, mas não tão amado quanto a marca de Maranello, que fazia de seus pilotos semideuses.

Tambay reuniu chances matemáticas de título até o GP da Europa, em Brands Hatch. Lá, sofreu um acidente que o tirou de esquadro. Quarto colocado no Mundial de Pilotos, foi fundamental para o bicampeonato da Ferrari entre as escuderias. Mas a equipe italiana não quis pagar pra ver e, com a saída de Alain Prost, quem pegou o carro #15 foi Tambay.

Em dois anos, pódios foram artigo de luxo – três – além da 5ª e última pole da carreira em Dijon-Prénois, no GP da França de 1984. A partir daí, formou dupla com o igualmente veterano Alan Jones para o campeonato de 1986 e, com 37 anos, Tambay já não tinha a mesma motivação do início da carreira. Sucumbiu junto à Lola-Haas, pontuando somente com um 5º lugar no GP da Áustria.

Patrick encerrou sua missão na F1 com 114 GPs disputados, duas vitórias e cinco pole positions, além de onze pódios e 103 pontos somados.

O parisiense nascido em 25 de junho de 1949 também era versátil: em algumas oportunidades, lhe foram entregues modelos Range Rover para a disputa do Rally Paris-Dakar, com os quais alcançou dois pódios. Tambay igualmente guiou nas 24h de Le Mans em quatro ocasiões com os protótipos Alpine-Renault, Rondeau e Jaguar. Com esta última, foi 4º colocado junto a Jan Lammers e Andrew Gilbert-Scott. Aliás, Patrick, então com 39 anos, disputou o World Sportscar Championship tendo Lammers como parceiro.

A última tentativa de Patrick foi nas 24h de Le Mans de 1996 – com suporte do Monaco Racing Team e o apoio de um velho amigo – Gildo Pastor – Tambay não se classificou com um modelo Bugatti EB 110 SS.

Mesmo derrubado e fragilizado pelo Parkinson, Tambay ainda viveria uma última alegria: o título do filho Adrien numa prova de veículos elétricos de Turismo, o Pure ETCR. Partiu com sua presença e sua história celebradas pela grande maioria do mundo do automobilismo – surpreendentemente, muitos fotógrafos e jornalistas ficaram chocados com sua partida.