F1: Ultrapassagens cresceram 24% com novo regulamento

F1: Ultrapassagens cresceram 24% com novo regulamento

Updated: 4 days, 21 hours, 47 minutes, 19 seconds ago

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Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

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Concebido para aproximar os carros na pista e tornar as disputas por posição mais empolgantes, o novo Regulamento Técnico da F1 surtiu efeito.

A temporada que terminou no domingo registrou 23,7% mais ultrapassagens por GP em relação à do ano passado. Não é só: neste quesito, foi uma das mais movimentadas da história.

Entre a abertura do Mundial, no Bahrein, e o encerramento, em Abu Dhabi, foram 997 ultrapassagens, média de 45,3 por etapa. No festejado Mundial do ano passado, aconteceram 807 ultrapassagens, ou 36,6 por corrida.

A média de 2022 é a sexta maior desde o início do registro histórico, em 1986. A Liberty poderia olhar para as ligas americanas, aliás, e incrementar o estoque de estatísticas da F1.

O recorde aconteceu em 2011: 1.249 ultrapassagens em 19 corridas, média de 65,7 por GP. Na sequência vêm os Mundiais de 2012 (média de 61,5), 2013 (54,2), 2016 (52,2) e 2014 (45,8).

Depois do campeonato de 2022, aparece 2019: 45,2 ultrapassagens em média por corrida.

Ou seja, as sete temporadas com maiores médias de ultrapassagem da história da Fórmula 1 aconteceram nos últimos 12 anos.

É uma constatação para levar qualquer saudosista ao desespero. Mas há uma explicação para isso, uma sigla de três letras: DRS. Drag Reduction System. Sistema de Redução de Arrasto.

Ou, simplesmente, a asa móvel.

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Charles Leclerc com o DRS aberto na pista de Albert Park na Austrália

Imagem: Ferrari

Sabe a temporada recorde citada ali acima, 2011? Pois bem, foi a primeira com o DRS, criado para tentar resolver um problema que se tornou crítico na primeira década do século. Mais e mais, engenheiros passaram a projetar os carros de forma a gerarem turbulência na traseira para impedir a aproximação de adversários.

Ultrapassar virou uma façanha.

Não por acaso, quatro das seis temporadas com menores índices de ultrapassagens são dessa época: 2005 (12,9 por GP), 2002 (16,1), 2001 (16,3) e 2009 (17,7).

Sim, os mesmos saudosistas podem argumentar que o DRS é um expediente artificial para conseguir aquilo que os antigos faziam "no braço". A tréplica é simples: os antigos não tinham que lidar com tanta turbulência aerodinâmica.

Enfim, é um bom papo para boteco.

A boa marca deste ano tem outro dedo da FIA. O Regulamento Técnico que estreou nesta temporada resgatou o efeito-solo e jogou o protagonismo aerodinâmico para o assoalho dos carros. Aproximar-se ficou mais fácil. E o DRS completou o serviço.

Havia até uma expectativa de banimento das asas móveis ao longo da temporada, mas a FIA avaliou que ainda não era pra tanto. Pelo contrário, resolveu incrementar o uso do dispositivo.

Em Abu Dhabi, a Comissão de F1 resolveu fazer um teste nas seis sprint races de 2023: a abertura da asa será permitida já na segunda volta após a largada _ou relargada. Desde 2011, era preciso esperar uma volta a mais.

Caso a novidade seja aprovada e implantada nos GPs a partir de 2024, pode se preparar: vem recorde por aí.